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Colunistas - Tetê conta o cinema do Macauva 07/09/2010 |
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Jogo de vida ou morte, Macauva pára Ferrô e Taubaté * Tetê Viviani
Dia 2 de dezembro de 1984, última rodada do Campeonato Paulista Primeira Divisão. Horário igual para todos os jogos da rodada da morte: 16 horas. Em Araraquara, na Fonte Luminosa, tem Ferroviária e Taubaté. Para o time da casa, só a vitória interessa para escapar do rebaixamento. Macauva, o torcedor símbolo da Vila Xavier, acompanha o jogo agarrado ao alambrado, do lado da torcida Boca do Lixo. O alívio vem aos 42 minutos do primeiro tempo. Douglas Onça marca para a Ferroviária e termina a primeira etapa com o placar de 1 x 0. No intervalo, Macauva vai para o bar, que fica do lado esquerdo de quem entra no estádio. Depois de saborear uma cerveja inteira, ele fica com o copo cheio, da segunda, próximo ao portão central do alambrado, onde entrava e saía a ambulância,e assiste ao segundo tempo. A rodada segue tensa, com os outros clubes que lutam para permanecer na principal divisão do futebol paulista. São Bento, XV de Piracicaba e Taquaritinga demoram para retornarem ao gramado. Neste clima de total angústia qualquer trambique, qualquer maracutaia são válidos para ajudar evitar a queda. No início do segundo tempo, a Ferroviária consegue o segundo gol com o lateral direito Paulinho batendo forte um pênalti e Macauva vibra levantando o corpo de cerveja e dando um banho no amigo Galinha. Passada a euforia o clima de desespero volta com intensidade. O Taquaritinga pode ameaçar a permanência da Ferroviária na elite do futebol. Atrasar o jogo da Fonte, já na metade do segundo tempo, seria importante para o técnico afeano. Nos minutos finais ele poderia recuar o time ou atacar mais dependendo do jogo do adversário já encerrado. Macauva descobriu uma brecha no alambrado e não teve dúvida invadiu o gramado aos 25 minutos da etapa final para espanto dos jogadores e equipe de arbitragem. O ousado torcedor mexeu com o goleiro do Taubaté, que estava no gol de entrada da Fonte, continuou até o grande circulo do gramado já com o jogo paralisado. O árbitro Romualdo Arppi Filho solicitou apoio da Polícia Militar enquanto Macauva girava com os braços abertos como se fosse uma cruz andante. Cercado pelos policiais, Macauva colocou o mão no coração e soltou um grito, simulando um ataque cardíaco, caindo de costas no gramado. A cena foi realmente de cinema. Preocupado com o estado de saúde do Macauva, o jogador Douglas Onça quis saber o que estava ocorrendo. Enquanto os policiais sem usar qualquer tipo maca, levantaram o Macauva pelas mãos e pelos pés e o trouxeram para a ambulância que estava atrás do gol por onde ele tinha invadido o palco do espetáculo. “Fica frio estou atrasando o jogo. Nós não podemos cair pelo amor de Deus”, disse ao Douglas. O jogo prosseguiu e o volante Sidinei Alástico fechou o placar de 3 x 0 que garantiu a Ferroviária comandada por Sérgio Clérice na “primeirona”. Taquaritinga e Taubaté foram rebaixados. Na outra ponta: Santos foi campeão em cima do Corinthians com um gol de Serginho Chulapa. O ato heróico de Macauva ficou na memória dos 3.053 torcedores que presenciaram a Ferroviária vencer e permanecer na elite do futebol paulista com: Ivan, Paulinho, Marco Antônio, Beto Fuscão e Divino; Ivaldo, Sidinei Alástico e Douglas Onça (Paulo César Oliveira); Miltinho, Jair (Túlio) e Claudinho. * repórter-fotográfico (Colaborou Doutor Marcelo Cirino)
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