Colunistas -  Ferroviária corre perigo na Colômbia      23/09/2010

 
 

 

"Quebrou o pau" em Bucaramanga na Colômbia

* Wilson Luiz

Ainda da digressão de 1968. 

Ferroviária e Atlético, de Bucaramanga, jogaram amistosamente no Estádio daquela cidade colombiana.

Foi legal, o começo da noite.

Meus colegas da “Cadeña Todelar de Emissoras”  me convidaram para narrar um “pedacito” do jogo amistoso.

Sentado à beira do gramado, pois não havia cabine de rádio, fiquei encostado no poste de iluminação do Estádio.

E “mandei pau”. – Narrei como se estivesse no microfone da Rádio A Voz da Araraquarense. E foi um sucesso, modéstia à parte. O “gostoso” foi ouvir gritos femininos oriundos das arquibancadas cobertas. Fiquei sabendo , no intervalo do jogo, que eram duas enfermeiras brasileiras, uma de São José do Rio Preto e outra de Presidente Prudente. Eram residentes ali e  casadas com dois médicos colombianos.

Mas no segundo tempo, a “coisa engrossou.” – Numa jogada mais ríspida do uruguaio Brucezi, o nosso ponteiro esquerdo PIO, ficou  “encrespado” e revidou à altura. Mas foi uma jogada “muito brava.” O atleta da equipe colombiana, saiu do gramado e foi conduzido imediatamente por avião, para Bogotá, para receber socorro médico urgente, pois seu estado de saúde não era nada bom.

Terminou o jogo em pancadaria, onde se destacou a potente direita do massagista Moacir Rola-Rola.

O único brasileiro que não entrou na briga, foi este jornalista, protegido com carinho pelos colegas da Cadeña Todelar. Pessoal da AFE,  sumiu e eu fiquei com os colegas radialistas colombianos. Saímos do Estádio e fomos para uma lanchonete. Interessante que o comentário, era um só. –Eles diziam “brasileños buenos de peleja”. Quer dizer – brasileiros são bons de briga.

Dia seguinte – viagem via aérea para a cidade de Barranca Bermeja, centro petrolífero da Colômbia.

E no Hotel Pipaton, onde nos concentramos, tinha um “cara” de Bucaramanga, que havia viajado para aquela cidade, com a intenção de tentar “apagar” o Pio. – Ficou no mesmo Hotel. O Chefe da Delegação, Orlando Luzia percebeu  qualquer “coisa estranha no ar” e juntamente com o técnico Vail Mota, ordenou que o Pio não saísse do Hotel. – Lá no Estádio, pessoal de Rádio queria saber quem era o Pio. E eu, de acordo com o “combinado” disse que o Pio havia viajado para o Brasil. Entrou no seu lugar o novaeuropense Nei.

Enquanto isso, o Pio ficou trancado no seu apartamento, mas disse ter percebido que alguém tentou entrar “na marra”. Ficou quietinho, rezando e esperando o tempo passar. Ainda bem. 
 

* Wilson Silveira Luiz

Jornalista, narrador esportivo, assessor da Secretaria de Esporte e Lazer de
 Araraquara 

MTb 33.099

Jornalista convidado da Delegação da Ferroviária e do Jornal O Estado de São Paulo para cobrir a excursão da Ferroviária à América Central (1968)

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