Ídolos                       Laerte, o volante dos anos 70      23/dezembro/2009

 
   
   AFE 1972 - Sérgio Bergantin, Baiano, Muri, Ticão, Fernando e Zé Carlos.
                                   Luizinho Lemos, Zé Luiz, Itamar, Laerte Coletti e Vágner
 
 

 

Laerte, o volante dos anos 70, torce pelo acesso da Locomotiva 

Ponto de encontro de amigos, onde rola truco, dominó e conversa fiada, o Bar do Laerte, na Rua Américo Brasiliense, 439, sempre está com a lotação máxima. De trás do balcão, o ex-volante da Ferroviária Laerte Coletti, 55 anos, atende a todos com atenção e educação. Os assuntos mais discutidos política, notícias e futebol  são tratados com humor. Só não é permitido falar mal da Ferroviária, clube de coração do dono do bar.

Com a experiência nas disputas dos campeonatos paulistas, da década de 70, e três campeonatos nacionais, 77, 78 e 79, a opinião do Laerte é respeitada quando o assunto é futebol.

“Hoje é muito correria. Prevalece o preparo físico. Quando eu jogava,  o tempo para dominar a bola era maior e ficava mais fácil tocar e lançar os companheiros”, comenta.

 

Bons momentos contra os grandes

O técnico Carlos Alberto Silva lançou Laerte no time de cima da Ferroviária em 1972. “Trabalhei com grandes técnicos: Almeida, Agnelli, Vail Mota, Bazani, Carlos Alberto”, elenca.

Laerte relembra os jogos contra os grandes onde todos entravam motivados. O jogo entre Palmeiras 3 x 3 Ferroviária, no Parque Antártica, no dia 29 de maio de 1975, sempre exibido nos programas esportivos do apresentador Milton Neves, é o primeiro que vem à memória do volante. Marcaram para a Ferroviária: Reinaldo Vagner e Laerte. Os gols do Verdão: Jair Gonçalves, Luís Pereira e Nei. O técnico Vail Mota comandou o onze grená, que teve: Sérgio Bergantin, Mauricio, Mauro Pastor, Ticão e Zé Carlos (Marinho), Palhares (Laerte) e Vagner; Freitas, Reinaldo e Adilson. Oswaldo Brandão escalou o Palmeiras com: Leão; João Carlos (Eurico)  Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Jair Gonçalves, Ademir da Guia e Leivinha; Edu, Fedato (Mário) e Nei.

Atuar ali no meio-campo enfrentando Enéas, Dica, Ademir da Guia, Cláudio Adão, Basílio, Russo, Jorge Mendonça, Pedro Rocha, era tudo que o menino, que começou no mirim do Estrela, da Vila Velosa, e depois foi para o Comercial, do Arani e do Paulo André, sonhava, confessa Laerte.

Alegria no futebol? Tudo, responde. Os gols marcados, as viagens, os amigos. O título estadual de 1977, do Mato Grosso, pelo Operário.A boa fase no Comercial de Campo Grande, quando conheceu estádios sagrados do futebol brasileiro jogando  no Serra Dourada, contra o Goiás, no Estádio Marechal Hermes, contra o Botafogo RJ, no Mané Garrincha, contra o Gama.

Tristeza? Em 1974, quando lesionou o joelho. “Fiquei três meses parado”, lamenta.

 

Operário da bola

Laerte foi um volante versátil, marcava, saía para o ataque, e com habilidade atuou na meia-direita e esquerda. Na Ferroviária disputou 123 jogos, entre 1972 e 1976. Marcou 23 gols com a camisa grená. Conquistou 49 vitórias, 47 empates e 37 derrotas. São Bento de Sorocaba, Araçatuba, São Carlense, Velo Clube, Figueirense SC, Operário MTe Comercial MT foram outros clubes que o  operário da bola defendeu com garra e profissionalismo.

 

Família de esportistas

O pai Augusto Coletti foi funcionário exemplar da Ferroviária por mais de trinta anos. Laerte comenta que os irmãos Pedrinho, que jogou no Benfica; Luiz Antônio, o Nin foi destaque no Estrela FC e a irmã Márcia e o cunhado Ivan Cabelereiro, pais do futuro atleta Murilo, de 9 anos, são todos esportistas e fanáticos pela Locomotiva.

“Na minha época de atleta profissional os salários eram baixos. Em onze anos de carreira consegui construir uma casa. Agora estou tocando bar, há 27 anos, e sem problemas”, diz otimista.

Os filhos estão bem encaminhados. André Luís, é programador na área de informática e Mariana é professora de Educação Física, em Santo André. A esposa Teresa é comerciante no ramo de roupas, resume Laerte.

 

Laerte esteve presente na inauguração da Arena e ficou impressionado com o novo estádio. “O gramado é excelente, facilita o domínio da bola e precisão nos lançamentos. Vamos torcer pela Ferroviária subir”, conclui.

 

O que concorda em coro os fregueses assíduos do bar do Laerte: Orlando, Sgobi, Essinho, Silvão, Vitório, Braz, Cláudio, Adair: vamos subir, AFE!

 

(Colaboraram: Marcelo Cirino e Tetê Viviani)

 

 
 
    Ferroviária de 1976  
   
      AArmandão massagista, Sérgio Miranda, Marinho, Laerte, Mauro Pastor, Sérgio Bergantin e Carlos  Izoldo, Wilson Carrasco, Tite, Ademir e Zé Roberto  
   
    ZMistão Grená de 1974 -Capitão Milton, Lula, Carlos, Tonho, Sérgio Miranda, Laerte e Jurandir.
                       Reinaldo, Edson Miranda, Coquinho, Palhares e Tatinho
 
   
    Truco, dominó, conversa fiada é o que rola no Bar do Laerte  
   
  Nas paredes um pedaço da história do futebol de Araraquara
   
      Amigos unidos pelo acesso da Ferroviária em 2010  
         
      Laerte tranquilo e otimista toca o bar há 27 anos e torce pela AFE      
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