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Ìdolos Bazani, o insuperável 28/dezembro/2009 |
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Bazani, eterno “Um legado insuperável”
Insuperável. O maior ídolo da Ferroviária, Olivério Bazani Filho, é o atleta que mais vestiu a camisa 10, em 758 jogos; e também o maior artilheiro do clube, com 244 gols. O primeiro a ter um busto na Fonte Luminosa. Meio século de vínculo com o clube. Chegou para testes em 1954 e se dedicou ao clube até 2006. Passou 2 anos no Corinthians. Morreu aos 72 anos, no dia 13 de outubro de 2007.
Bazani começou no juvenil da Mirassol, de sua terra natal, ele é de 3 junho de 1935. Despertou a atenção dos diretores da Ferroviária em um jogo amistoso. Convidado para treinar no Fluminense desceu do trem em Araraquara para acompanhar os amigos China e Ico. Coisas dos homens da Estrada de Ferro, aonde as notícias chegavam à primeira mão.
Com enorme vontade de ser profissionalizado, Bazani tinha um problema: o titular Zé Amaro era bom demais e o negócio era ter paciência. Aos poucos, Bazani entrava no jogos da Segundona de 1954, sob as ordens de técnico Renganeschi, mas a cabeça ainda estava no Fluiminense.
A chance surgiu em 1955 e na estréia do Campeonato da Segunda Divisão. O titular Mário estava suspenso, Zé Amaro havia sido vendido, e Capilé escalou o meia de 19 anos, que não decepcionou e marcou dois gols na vitória frente ao Paulista de Jundiaí, na Fonte Luminosa, por 4x2. Titular no jogo seguinte, Bazani marcou mais dois em Catanduva em outra goleada, por 4x2, diante do time da casa. O sonho de ir para o Flu estava por ora adiado. A campanha seguiu invicta e com a goleada diante do Botafogo, por 6 x 3, Bazani balançou as redes marcando dois gols, Gomes, 2, e Cardoso, 2, em 15 de abril de 1956, a Ferroviária conseguiu o acesso à Divisão Especial com apenas 6 anos de fundação
As boas atuações da Ferroviária, na Divisão Principal, assustavam os grandes. Em 1959, o clube da Estrada terminou em terceiro lugar. O goleiro Rosan, o volante Dudu e o meia Bazani foram convocados para a seleção paulista. Bazani e Pelé se revezaram em alguns jogos. “Bom companheiro, humilde e com espírito coletivo”, resume Bazani em depoimento gravado em 1998. A seleção conseguiu o tetracampeoanato nacional, de 1960 e Bazani recorda com o humor o jogo contra os cariocas no Maracanã. “O Paulo Amaral pediu que eu ajudasse o Oreco na marcação do Garrincha. Eu pegava o meio e o Oreco cercava as beiradas. Deu tudo errado. Garrincha deitou e rolou e eu fui, com muito orgulho, mais um “João”... Bazani entra titular e Pelé fica no banco No jogo de ida da primeira fase, os paulistas venceram a seleção baiana por 2 a 0, em Salvador. Na partida de volta, no Pacaembu, Aymoré optou pela escalação de Bazani na meia-esquerda e deixou na reserva Pelé, já idolatrado como campeão mundial pela Seleção Brasileira na Copa da Suécia em 1958. No primeiro tempo, os paulistas fizeram 1 a 0, gol de Pepe. No intervalo, Aymoré colocou Pelé no lugar de Bazani. O banco deve ter deixado o “Atleta do Século” irado e quem pagou o pato foi o time baiano, que não viu a cor da bola. Resultado, o “Rei do Futebol” marcou três gols, Pepe fez mais dois e Chinezinho completou o massacre de 7 a 1.
Teve o jogo contra os mineiros e a seleção paulista venceu o primeiro tempo por 3 x 0. No intervalo Pelé saiu e entrou Bazani. Os mineiros reagiram e vitória paulista foi suada por 4 x3. No dia seguinte a manchete dos jornais esportivos: Pele saiu, Bazani entrou e complicou! Fatos que Bazani relata com humor e orgulho, pois conviver com Pelé foi ótimo, recorda.
Tricampeão do Interior e detentor da Taça dos Invictos
Bazani comandava a Ferroviária dentro do gramado nos anos 1960. Excursionaram em 1960, 1963 e 1968, com brilhantes atuações em Portugal, Espanha, África Portuguesa e América Central. Destaque na campanha do acesso, de volta, em 1966, e na conquista do Tricampeonato do Interior – 1967, 1968 e 1969, além da Taça dos Invictos em 1970.
Duas temporadas no Corinthians
No famoso clássico Santos 7 x 4 Corinthians, Bazani lembra que começou bem e marcou gol, mas novamente o Pelé desequilibrou. “Contra o Corinthians ele entrava mais ligado. Parece que tinha raiva e desequilibrava mesmo”, confessa.
Tudo ia bem até que no final de 1964 surgiu um moleque chamado Rivellino, que virou xodó da Fiel. A concorrência foi desleal. A torcida e a imprensa pressionaram pela escalação do novato e Rabi perdeu seu espaço, retornando à Ferroviária em junho de 1965.
Técnico e Supervisor
Sempre ligado à Ferroviária, Bazani exerceu as funções de técnico do amador, juvenil, juniores e profissionais. Campeão dos Jogos Abertos de 1977, Juniores de 1993, Quarto colocado no Paulistão, de 1985 e descobridor de talentos como Zé Roberto, Dama, Mauro Pastor, Marco Antônio, Donato, Sidnei Alástico, entre outros. Observar os jogos dos adversários foi outra função que Bazani assumiu com eficiência, além de supervisionar as categorias da base. Em abril de 2007, o busto do Rabi, apelido que trouxe de Mirassol, foi entronizado na Fonte Luminosa por iniciativa da Prefeitura, por meio da Fundesport.
Uma família de esportistas O pai Olivério Bazani foi atleta. Jogou no Mirassol e Corinthians, nas décadas de 30 e 40. O irmão Bazaninho marcou época no São Bento, de Sorocaba, e São Paulo FC. A irmã Nadir foi estrela do basquete atuando nos rivais: Corinthians e Palmeiras. Viúvo de Maria Inês, com a qual teve dois filhos:Lelo e Marinês, Bazani ainda teve Ana Carolina com a companheira Aparecida Becastro.
Obreiro do Bem Convicto nos ensinamentos do espiritismo, Bazani freqüentou e colaborou com a entidade Obreiros do Bem por longos anos. Formado em Odontologia, pela Unesp de Araraquara, na turma de 1960, trabalhou por décadas no Hospital Caibar Schuttell atendendo aos internos. Em 1998, Bazani recebeu o título de cidadão araraquarense para orgulho de sua mãe, a dona Catarina que prestigiou a solenidade cercada de toda família.
O legado insuperável Bazani deixou um legado imensurável em realizações esportivas e sociais. Suas atuações em campo defendendo a Ferroviária com raça e amor. Números indiscutíveis e, com certeza, jamais serão superados: 244 gols em 758 jogos. Trabalho voluntário no Hospital Caibar e no Centro Obreiros do Bem sempre voltado para ajudar ao próximo. Amigos dentro e fora dos gramados. Um cidadão que amou esta terra.
Confira fichas técnicas abaixo.
(Colaboraram: Ed Villa, Marcelo Cirino e Tetê Viviani) |
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| Nacional da Ilha de Funchal 1 x 4 Ferroviária Portugal 1960 | ||||||||||||||||||||||||||
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| BBazani marca contra o Nacional na primeira excursão internacional da AFE - 1960 | ||||||||||||||||||||||||||
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| Bazani e o repórter Falcone, naqueles dourados anos 1960Bazani | ||||||||||||||||||||||||||
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| BBazani
e Dudu, os dois últimos agachados, à esquerda, posam antes do
embarque da Ferroviária para um giro pelo oeste da Europa - 1960 |
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| Bazani estava em Medellin (Colômbia), quando foi vendido ao Corinthians e teve que retornar ao Brasil para se apresentar no Parque São Jorge- 1963Bazani | ||||||||||||||||||||||||||
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CComentarista
da Rádio Cultura, nos anos 1970, ao lado dos saudosos cronistas João
Renato e Wágner Bellini |
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Bazani aproveita um
domingo de folga, em 1998, para dar dez voltas correndo ao redor do gramado da velha Fonte Luminosa |
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| 1998 - Bazani é Cidadão Araraquarense de fato e direito | ||||||||||||||||||||||||||
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| No comando técnico da Ferroviária, Bazani disputou as semifinais do Paulistão de 1985 | ||||||||||||||||||||||||||
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Careca e o respeito
pelo mestre da Fonte Luminosa, Olivério Fazani Filho -
Estádio Municipal Siqueira Campos Araraquara - 2002 |
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| Bazani, o supervisor de futebol da Ferroviária, sempre preocupado em ser útil - 2005 | ||||||||||||||||||||||||||
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| O companheiro Zé Luiz se emociona com o busto do Bazani - Setembro de 2009 O companhjeiro | ||||||||||||||||||||||||||
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| Humano, humilde, insuperável, eterno | ||||||||||||||||||||||||||
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