Terça-feira, 21 de abril de 2009   -     Um xerife de respeito

 
 

 

Pinheirense: o zagueiro  mais temido dos anos 1980

(Aos 53 anos, Infecção generalizada leva o zagueiro para o andar de cima)

Quando os atacantes  entravam em campo e viam o Pinheirense na zaga, logo arrumavam um jeito de ficar longe da área da área armando as jogadas no meio de campo. “É verdade eles me temiam porque eu chegava junto mesmo”, confirmou o zagueiro que defendeu a Ferroviária entre 1982 e 1983, inclusive na brilhante campanha da inesquecível Taça de Ouro de 1983.

Expulso de campo 4 vezes com camisa da Ferroviária e várias vezes nos outros clubes que defendeu, duas delas entraram para a história como destaque pela fato inédito e pela valentia.

Contra  o São Paulo, no Morumbi, dia 13 de outubro de 1982, que venceu a Ferroviária por 4 x 1,  Pinheirense e Serginho Chulapa foram expulsos aos 2        minutos de jogo. “Nunca tive medo de cara feia, só que o Serginho era mais forte. Eu dei nele, ele revidou e partiu para cima de mim. Eu tive que correr para não apanhar” afirmou rindo do episódio.

Pisando na garganta do Ataliba

A irreverência e valentia do Pinheirense ficaram evidentes naquele Ferroviária 0 x Corinthians 1, em 15 de maio de 1983, na Fonte Luminosa. A Ferroviária buscava o empate, pois perdia por 1 x 0, num chute mascado de Sócrates que Éder não pegou. Ataliba puxou o contra-ataque e Pinheirense, o derrubou. Dulcídio Wanderley Boschillia mostrou o vermelho para o zagueiro, que inconformado e raivoso pisou na garganta do Ataliba que estava caído.. Revolta dos jogadores do Corinthians que partiram para pegar o Pinheirense, que foi salvo pelo médio alvinegro Paulinho, amigo dos tempos de Náutico. Na confusão Mauro e Casagrande foram expulsos.
”Esse zagueiro tem que ser eliminado do futebol, eu vou fazer uma denúncia contra ele no Sindicato dos atletas Profissionais”, declarou Casagrande.

No jogo que Pinheirense deixou mais gago o Ataliba, a Ferroviária perdeu com: Éder; Marinho Paranaense, Arouca, Pinheirense e Divino; Sidinei, Douglas Onça e Zé Roberto; Jorginho, Claudinho e Bozó. Técnico: Roberto Brida.

O Corinthians venceu com: Leão; Alfinete, Mauro, Daniel Gonzalez e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Ataliba (Wagner), Casagrande e Eduardo.

“O Boschillia me expulsou oito vezes; o Godoy , 5 vezes; O Morgado, 4 vezes, o resto eu perdi as contas, mas esses me perseguiam demais”, afirma sem nenhuma mágoa Pinheirense.

“Eu batia, mas também saia jogando com a bola dominada. Trabalhei com grandes técnicos, como o Sérgio Clérice, o Bazani. Pepe, Zé Duarte, Roberto Brida” enumera o zagueiro.

Pinheirense, segundo pesquisa de Marcelo Cirino, atuou com a camisa da Ferroviária em 85 jogos. Venceu 26, empatou 27 e perdeu 32. Marcou um gol.

Paraplégico e uma tragédia sem explicações

Vítima da violência. Pinheirense está paraplégico desde 2000 quando foi baleado pelas costas, em Pirituba, bairro de São Paulo. Assunto que ele prefere deixar quieto sem explicações. “Não tive culpa em nada. Atiraram na pessoa errada”, encerra o assunto.

Está no Que Fim Levou do Milton Neves

Um dos zagueiros mais viris da história do futebol brasileiro, famoso por ser o recordista de cartões vermelhos da maioria dos campeonatos que participou, o ex-zagueiro Pinheirense ficou paraplégico no ano 2000. Atualmente residindo em Recife, vive da aposentadoria de um salário mínimo que tem, mas faz muitos eventos com os amigos que muito o auxiliam. Titular da zaga do Náutico na década de 1970, é filho de Pinheiro, um dos maiores ‘xerifes’ da história do Sport. Defendeu também Coritiba, Botafogo de Ribeirão Preto, Ferroviária de Araraquara, São Caetano, Paulista de Jundiaí, Ituano e Londrina. Só Dulcídio Wanderley Boschilla expulsou Pinheirense oito vezes em sua carreira. E o ex-jogador, pai de um único filho, tem um recorde: foi expulso aos dois minutos do primeiro tempo em um São Paulo x Ferroviária. " É que eu bati no Serginho Chulapa e ele me bateu também. Só por isso fomos pra fora", diz Pinheirense, às gargalhadas.

(Veja mais e ouça uma entrevista de 38 minutos concedida pelo Pinheirense ao Milton Neves, gravada em 2008, em www.miltonneves.com.br)

Morreu neste sábado, dia 22 de agosto de 2009, aos 53 anos, um dos zagueiros mais viris do futebol brasileiro. Antenor José Cardoso, o Pinheirense, defendeu o Naútico em 1979 e 1980 e não resistiu a uma infecção generalizada. O ex-jogador foi sepultado neste domingo, no Cemitério Santo Amaro, no Recife. 

(Colaboração: Marcelo Cirino, Milton Neves e Tetê Viviani)

 

 
   
   Ferroviária de 1983, que realizou uma campanha brilhante na Taça de Ouro
 Pinheirense, Dorival Júnior, Vica, Marinho Paranaense, Abela e Divino e o fisicultor Tadeu
 Claudinho, Douglas Onça, Marcão, Zé Roberto e Bozó ( O repórter mala é o Tadeu Alves)
 
   
    Pinheirense  o mais alto dos que estão em pé com Paulinho (do Corinthians), o terceiro agachado  
   
    Pinheirense e Wilson Carrasco, os dois últimos agachados, no Botafogo de Ribeirão Preto  
       
      Pinheirense recebendo homenagem do amigo Gilberto Costa    
               
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