Ídolos  -  O futebol inteligente do moço de São Manoel     31/07/2010  
     
     

 

Tales: - “Na Ferroviária vivi o auge da carreira”

 

O garoto Tales Flamínio Carlos chegou à Ferroviária com 19 anos para um período de testes em 1961. Um amigo de São Manoel, sua cidade natal, o indicou para o presidente Antonio Tavares Pereira Lima, ambos cursavam Direito em Bauru.

Chegou tímido,  após 15 dias de treinos,  foi contratado e teve grandes momentos com a camisa 8 grená.

Atleta técnico, frio na conclusão, e inteligente na armação impôs padrão no meio campo grená naqueles anos dourados"  

“Em 1963, ganhamos do Santos FC, por 4 x 1, em Araraquara, no primeiro turno. Depois, na Vila Belmiro vencemos novamente com uma goleada, 5 x 1. Entrei pela direita driblei o Gilmar e mandei para as redes. Um dos gols mais marcante em minha carreira”, comenta Tales.

 

“ O apoio que eu recebi do Dudu e do Bazani foi fundamental. Sempre me incentivaram. Eles me davam total liberdade para criatividade”, recorda ao ver o busto do Bazani na entrada da Arena da Fonte Luminosa, no sábado, dia 31 de julho.

 

Na Ferroviária Tales atuou em 123 jogos (1961-1964) , marcou 51 gols, conquistou 52 vitórias, 21 empates e amargou 50 derrotas.

Tales figura na posição 12ª da lista dos maiores artilheiros da história da Ferroviária.

 

 “ Na Ferroviária vivi o auge o da minha carreira”, enfatizou.

 

O Bazani era falante o tempo todo. Na derrota ela continuava falando tanto que parecia que estivéssemos ganho o jogo. Isso amenizava as derrotas e criava ânimo para o jogo seguinte.

 

Pressão no Corinthians

No Corinthians, de 1966 a 1970, Tales  teve a honra de atuar com Garrincha e Rivelino e enfrentar a pressão da Fiel. “ O Garrincha estava com problemas no joelho e atuou pouco no Timão. Já o Rivelino era um jogador explosivo e genial”.

 

Por duas vezes, Tales vestiu a camisa amarelinha da seleção. “Houve um combinado Santos-Corinthians para representar a seleção brasileira. Pelé foi meu companheiro de quarto. Quando ele chegava eu saia. Respeitava sua privacidade”, recorda Tales.

Bons números na história do Corinthians com 71 gols marcados em 178 jogos.

 

Do Corinthians, Tales foi para o Flamengo onde atuou por um ano. Em 1971, viu o surgimento do Zico, um  garoto franzino com uma habilidade incrível. No Rubro-Negro foram 17 jogos, 1 gol, 10 vitórias, 4 empates e 3 derrotas.

 

Ainda jogou na Ponte Preta e São Bento de Sorocaba, cidade em que reside curtindo a aposentadoria de funcionário público municipal.

 

O adversário não pode jogar

Enquanto percorria as dependências da Arena da Fonte, acompanhado da filha Fernanda e do amigo João, Tales observou as mudanças ocorridas no futebol. “Hoje prevalece o preparo físico com o atleta correndo até 14 mil metros durante a partida contra 6 ou 7 mil dos anos 60 e 70, mas o excesso de passes errados prejudica o espetáculo. O importante é não deixar o adversário jogar e nenhum dos  dois times jogam”.

 

“O Dunga optou por um time fechado, quando tomou os gols não tinha como reverter o placar adverso”, disse lamentando a desclassificação do Brasil. Na Copa da África do Sul.

 

Outro fator que Tales destaca é que esse mal está  enraizado nas categorias de base. “Os técnicos usam um tabuleiro limitando as ações dos jogadores”.

 

 

Ficha Técnica

 

Ferroviária 4 x 1 Santos Futebol Clube

 

Campeonato Paulista, Primeira Divisão

1/setembro/1963 – Estádio da Fonte Luminosa

Araraqaura SP – Juiz Anacleto Pietrobom

Renda Cr$ 2.278.000,00

 

Gols: AFE – Lio, Tales e Peixinho (2)

         SFC – Pelé

 

Ferroviária

Toninho;

Geraldo Scalera; Fogueira, Mário e Zé Maria;

    Dudu, Tales  e Capitão;

Peixinho,  Lio e Ari.

Técnico: Floreal Garro

 

Santos FC

Gilmar;

DAlamo, Joel Camargo, Clavet e Geraldino;

      Zito, Lima e Pelé;

Dorval, Coutinho e Pepe.

Técnico: Luiz Alonso (Lula)

 

 

Fica Técnica

 

Santos Futebol Clube 1 x 5 Ferroviária

 

Campeonato Paulista – Primeira Divisão

8/dezembro/1963 – Estádio Vila Belmiro

Juiz – Frederico Lopes

 

Gols:  AFE – Tales e Peixinho (4)

          SFC -  DorvaL

 

Santos FC

Laércio;

Olavo, Joel Camargo, Calvet e Emíltom;

        Lima, Batista e Rossi;

Dorval, Coutinho e Pepe.

Técnico: Luiz Alonso (Lula)

 

* (Colaboraram Marcelo Cirino, Milton Neves e Tetê Viviani)

 

   
       
       
     
   Foto 1 - Tales no Museu da Arena. Foto 2 - Tales com a filha Fernanda
 e o amigo João Gomieiro. Foto 3 - Domingos Carnesecca, Vicente Scarambone e Tales. Foto 4 - o ídolo pisa no sagrado  gramado da Arena
   
     
     Rossi - Rubens Salles - Toninho - Beto - Rodrigues e Capitão
   Carlinhos - Tales - Osmar - Bazani  e Pio  (1964)
   
                 
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